Objetivo do NY-eCronicas

Crônicas



Com certeza, crianças, poetas e, talvez, outros d'alma alhures são alguns dos que têm poder de mapear, compreender os meandros dos pequenos gestos e a partir deles extrair interessantes histórias. Não raro, a voz de um gesto, de um olhar ou da mágica de um toque quase imperceptível pode dizer e representar mais que palavras.


ESPERANÇA DE BOA SAFRA




“Eis que o lavrador aguarda com paciência o precioso fruto da terra, até receber as primeiras e as últimas chuvas.” (Bíblia)




O garoto estava apoiado em uma das chapas de aço fixadas, como "paralamas" sobre as rodas do trator.

Do alto, ele se divertia observando as marcas da lavoura "passando correndo" até desaparecerem em meio à poeira daquela terra avermelhada de Minas Gerais.

Ao tomar a estrada principal, o menino, em voz bem alta, para superar o barulho do motor, perguntou a seu pai, que conduzia o trator:

“E agora, papai, o que tem de ser feito?”, referia-se à roça de arroz que acabaram de plantar.
“E agora!?”, exclamou o pai.
“Meu filho, daqui pra frente, tudo depende do Papai do Céu. Precisamos de chuva e de sol na medida e na hora certa.”

Nesse instante, retirou o chapéu da cabeça por alguns segundos, em sinal de reverência, e continuou:

“Se Deus enviar muita chuva, as sementes de arroz irão nascer e crescer vigorosas. Depois, precisamos do sol. É assim que poderemos ter uma grande safra. Caso contrário, todo nosso serviço estará perdido”.

Essas palavras foram suficientes. Elas cairam, como sementes lançadas em terra fértil, no coração infantil do menino, deixando-o tão esperançoso quanto se mostrou o ato de reverência daquele chapéu alçado para se referir a Deus.

O lavrador demonstrou a soberania de Deus e,com um simples ato de temor ao nome Senhor, ensinou o princípio da sabedoria. “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Provérbios 9.10). Ele plantou no coração de seu filho uma mensagem de esperança e de gratidão.

Enquanto escrevia este texto, o menino do barulhento trator se recordava da abundante safra daquela roça de arroz e sentia na alma a saudade de seu pai, lavrador de fé, cuja esperança e gratidão eram colocadas unicamente em Deus, “o Papai do Céu”.

Neste mês de novembro, no ensejo das celebrações de ação de graças, quero colocar em prática o que aprendi com o exemplo de meu pai: agradecer a Deus pelas muitas chuvas enviadas e que caíram no tempo certo e também pelo sol que raiou bonito em minha vida e na vida de minha família, permitindo-nos colher abundantes safras.

2 comentários:

  1. Adorei a história do mineiro, me fez lembrar de alguém. Muito bom.

    Janete

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